quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

QUANDO O AMOR CHEGA (GURI 1)

Guri nem percebe quando é enlaçado pelo amor. Ele deseja seu sorriso antes de desejar sua fala, antes de desejar seus lábios, antes de desejá-la.
Mas ele pode desejar outras também, da mesma forma e no mesmo momento. E ele, de fato, até deseja, quer muitas.
Guri está perdido, distraído. Ele não sabe que amor chega assim, sem avisar, que amor afunila quereres, e que de muitas, em breve, vai se ver pensando em uma.
Guri quer se dar, porque sabe que amor devolve.
O amor é brincalhão, ele joga para o alto e sabe que, na queda, acordará os amantes e machucará corações.
Mas guri, quando está acordado para o amor, não teme suas brincadeiras, quer se machucar, porque guri tem alma de moleque e moleque quer viver, quer a aventura, quer se achar, se perder, quer ousar querer para querer ousar.
Guri não tem olhos nem ouvidos. Seus sentidos estão à flor da pele.
Ele estava distraído antes e agora mais ainda. Amor distrai, amor te trai.
Antes, guri dispensava amores. Nunca foi momento. Mas ele não sabia ainda que o momento não fazia o amor, o amor é que fazia o momento.
Quando guri acorda, fica feliz um monte e dá um jeito de o momento ser esse.
Amor é salvação para guri e pode chegar mesmo quando as malas já estão prontas.

Um comentário:

aluisio martins disse...

sempre fui guri e creio que ainda sou nesse engatinhar do amor. Coisa desafio transgressão que siblima e eleva. É vela que nos guia sem leme. Tão bom viver a deriva, deveras.

Aluísio Martins
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